quinta-feira, fevereiro 22, 2007
sábado, fevereiro 10, 2007
terça-feira, fevereiro 06, 2007
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
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Tudo parece ter outra vez começado. Quando
- a cabeça encostada à morte que a perder de vista
crescia - este homem estancado reconheceu o seu nome
pelo vento desenhado com os gravetos pobres
naquela que julgara ser a última parede do labirinto:
Já ali estivera. Ouvia outra vez a linguagem:
a montanha; desde sempre a linguagem - e era um mar
nascendo no visível do outro lado: o som do verde.
Recomeçou: retrocedendo, internou-se outra vez
no poema [...]
[manuel gusmão]
por
nuno
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9:20 da tarde
0
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segunda-feira, janeiro 22, 2007
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[foto de cindy sherman]
por
nuno
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7:26 da tarde
9
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terça-feira, janeiro 16, 2007
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[...]
Representa uma barreira de luz independente -
a pessoa: ilha emigrada, trabalho explosivo e negro.
Então o clima pensa, os centros saem, o lugar dificulta-se
com água.
[...]
[...]
Representa uma fotografia que se insurge: violenta,
branca.
[herberto helder]
por
nuno
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2:14 da manhã
2
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quinta-feira, janeiro 11, 2007
por
nuno
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2:29 da manhã
14
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quarta-feira, janeiro 10, 2007

Por trás da casa, atrás de nós, o húmido marulho
de pássaros frágeis que destecem a sombra.
A teu lado, o corpo de quem te convida
à manhã do mundo.
[Manuel Gusmão; Foto Francesca Woodman]
por
nuno
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8:14 da tarde
1 portões
quinta-feira, janeiro 04, 2007
por
nuno
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5:47 da tarde
5
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quinta-feira, dezembro 21, 2006
30
Já a luz se apagou do chão do mundo,
deixei de ser mortal a noite inteira;
ofensa grave a minha, que tentei
misturar-me aos duendes na floresta.
De máscara perfeita, e corpo ausente,
a todos enganei, e ninguém nunca
saberia que ainda permaneço
deste lado do tempo onde sou gente.
Não fora o gesto humano de querer-te
como quem, tendo sede, vê na água
o reflexo da mão que a oferece,
seria folha de árvore ou sério gnomo
absorto no silêncio de uma rima
onde a morte cessasse para sempre.
[António Franco Alexandre]
por
nuno
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6:29 da tarde
4
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terça-feira, dezembro 19, 2006
Herberto Helder
(a carta da paixão)
Esta mão que escreve a ardente melancolia
da idade
é a mesma que se move entre as nascenças da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
a sua queimadura desde os seus recessos negros
onde
se formam as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial
da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua
alumia-se: O mel escurece dentro da veia
jugular talhando
a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se
a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, essa lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
traz para junto da cabeça: essa raiz de osso
vivo. A idade que escrevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore. Ou um filão ardido de ponto a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela animal.
Queima-te a espaços
a desarrumação das imagens. E trabalha em ti
o suspiro do sangue curvo, um alimento
violento cheio
da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força
desde a raiz dos braços a força
manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda
fechada, a límpida
ferida que me atravessa desde essa tua leveza
sombria como uma dança até
ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma
estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum
astro
é tão feroz agarrando toda a cama. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas.
por
nuno
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6:41 da tarde
5
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segunda-feira, dezembro 04, 2006
era uma história.
era uma cidade.
eles eram a noite embargada em sono
para ser urgente
sem que a vida se encolhesse nas pálpebras
para que se olhassem.
na verdade,
eles
preferiam a invisibilidade da música.
era o roubo da noite para que a assinatura dos rostos
fosse irreconhecível,
sem vestígios.
falsificavam tratados de amor.
eram clandestinamente românticos.
era um sítio.
uma película dentro do sítio.
era a distância levada à boca
cada vez mais e em pouco tempo
para falar de um silêncio indefinido .
espiava-os o grito por dentro das lâminas
deixadas em aberto,
à beira das mesas, como frases soltas.
havia cortes implacavelmente incertos na palma das coisas e
eles olhavam para fora das mãos os gestos em sangue.
era uma história entre becos.
era uma cidade entre palavras.
eram eles.
éramos nós.
por
nuno
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1:05 da tarde
11
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sexta-feira, dezembro 01, 2006
estou de janelas viradas para a conclusão
de uma qualquer eternidade.
quero a outra cinematografia: por fora dos ecrãs
- para dentro dos abraços -
encontro o rio.
no avesso do rio, a luz mais etílica.
+
falta-nos água para crescer
para dentro das margens, abro-te
como se abrisse uma fronteira
entre os corpos possíveis de um acidente
morremos de tantos rios,
morremos de tantos nós
+
um corpo a flutuar
para escrever: postal
+
Habeas corpus
por
nuno
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10:56 da tarde
9
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por
nuno
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10:49 da tarde
0
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segunda-feira, novembro 27, 2006
por
nuno
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5:36 da tarde
13
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domingo, novembro 26, 2006
you are welcome to elsinore
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinore
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
[Mário Cesariny]
1923-2006
por
nuno
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1:09 da tarde
6
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quarta-feira, novembro 22, 2006
por
nuno
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10:58 da tarde
9
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SAIU PARA A RUA
EMBRENHOU-SE NA ESPESSURA DA NOITE
AMOU E TRAIU
SEDUZIU E DEIXOU-SE SEDUZIR
MORREU UM POUCO TODAS AS MANHÃS
E NUNCA MAIS REGRESSOU
AO QUE TINHA SIDO
[Al Berto]
por
nuno
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3:44 da tarde
3
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sexta-feira, novembro 17, 2006
Esse espaço teria um banco em cima do chão, uma janela por debaixo da chuva e um homem. [n. tem uma cicatriz em redor da cicatriz que em redor da ferida que em redor...]
por
nuno
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11:43 da tarde
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